Maçã: coma sempre, sem culpa e sem pecado
* Dra. Maria Cristina Ferreira de Camargo


Se a maçã da bruxa não estivesse “encantada”, jamais teria feito mal à Branca de Neve, colocando-a num sono profundo.

Longe disso! A maçã é uma fruta que, pela composição de nutrientes, imprime energia ao ser ingerida, constituindo importante fonte alimentícia e que, como os cítricos, pode ser conservada durante mais tempo, mantendo boa parte de seu valor nutritivo.

Seja verde ou vermelha, a maçã é consumida no mundo todo e utilizada em muitas receitas culinárias.

A fruta traz muitos benefícios à saúde, dentre eles o de auxiliar na manutenção da taxa de colesterol em níveis aceitáveis, desde que seja ingerida diariamente uma unidade, que possui em média 80 calorias.

É, ainda, por seu baixo teor calórico, muito recomendada a quem deseja manter a boa forma. E seus valores não param por aí: contém pectina, uma fibra que reduz os riscos de doenças cardiovasculares, regula o intestino e dificulta a absorção de gorduras e glicose.

A maçã é composta por grande quantidade de água (cerca de 85%). A par disso, possui fibras solúveis, substâncias antioxidantes, vitaminas C e E, além das vitaminas B1, B2, niacina e também contém sais minerais, fósforo e ferro. O bom da história é que essa fruta contém 12% de frutose, um tipo de açúcar que não provoca cáries. E, por luxo, é também rica em potássio.

Pessoas obesas e diabéticas são as que mais se beneficiam ao incluírem a maçã na sua dieta, uma vez que a frutose é absorvida lentamente pelo organismo, fato que evita o aumento da taxa de glicose no sangue.

Outra boa contribuição da maçã é que ela controla a sensação de fome, amenizando aquela exagerada vontade de comer, especialmente quando se está fazendo uma dieta de restrição calórica.

Para melhor aproveitamento de suas vitaminas, o ideal é consumi-la ao natural, como sai do pé, ou seja, com casca, pois é principalmente na casca que se encontra a maior parte das suas vitaminas e os sais minerais.

Na hora de comprar, escolha as frutas de casca de cor acentuada e brilhante, polpa firme, pesadas, sem partes moles, furos ou rachaduras. Nessas condições, ela se conserva por mais tempo na geladeira.


A maçã, um lanche adequado

Na hora do lanche ou na sobremesa, trata-se de ótima opção. E, por falar em lanche, ela é a fruta ideal para rechear a lancheira dos pequenos na escola. E esse hábito de se combinar maçã com escola vem de longe: tanto que é muito conhecido o gesto de o aluno oferecer uma maçã à professora...

Há um mito antigo e sem nenhum fundamento ensinando que a maçã serve para limpar os dentes e que deve ser considerada como uma escova natural de higiene dentária. No entanto, isso não é verdade.

A maçã não limpa, apenas suja pouco os dentes, o que é bastante diferente. O que ocorre é que certos alimentos apresentam menor índice de adesividade, não permanecendo grudados nos dentes. O ideal é que, sempre que se ingere um alimento, é aconselhável remover os resíduos, realizando-se a higiene bucal com escova de dente e creme dental. Ou, na impossibilidade disso, imprimir um vigoroso bochecho com água.

Podemos classificar alguns alimentos segundo seu grau de retenção nos dentes:
Baixo : maçã, cenoura crua
Moderado: pão branco, bolo
Alto: balas de goma, pegajosas, salgadinhos
Muito alto: granola, biscoitos recheados, barras de cereais

O que há de real é que, para a saúde bucal, a maçã exerce importante papel, pois ao mastigá-la, massageamos as gengivas e aumentamos a produção de saliva.


Mastigação - função muito importante para o sistema boca


O cuidado com a qualidade e textura do lanche que a criança leva para a escola, além de contribuir com a formação de hábito alimentar saudável, ainda traz o benefício dos exercícios mastigatórios para o desenvolvimento da boca e da face.

Alimentos duros e fibrosos, que estimulam a mastigação, são altamente benéficos para a musculatura da boca, articulação da fala e desenvolvimento dos ossos onde os dentes se assentam.

Alimentos aderentes e pastosos como bolo, bolacha, iogurtes, pão com geléia, flocos de milho, salgadinhos - não ajudam a musculatura e ainda favorecem o aparecimento da doença cárie. Quanto mais aderente e pegajoso o alimento, pior a situação, uma vez que seus restos permanecem nas ranhuras dos dentes, onde a escova não alcança. Pães macios também deixam muitos resíduos, além de não estimularem a mastigação.

Bom lembrar que, normalmente, a criança não tem possibilidade de escovar os dentes após o lanche. O perigo dos doces está ligado à freqüência e à consistência do mesmo aliada à impossibilidade de higienizar a boca após seu consumo.

A maçã entra na dieta desde a fase de bebê. Raspadinha, oferecida na colher, o bebê faz com ela os primeiros movimentos de sorver.

Um tempinho depois, o mesmo bebê, já mais crescidinho, nos primeiros movimentos de apreensão, segurando com as mãos, leva o pedaço ou tira de maçã à boca, distraindo-se com esse prazeroso ato e desfrutando ao máximo este momento, enquanto se entretém, coordenando os movimentos. Morde, mastiga, enfim, vive e se distrai, deliciando-se em triturar a nova textura do alimento.

Mais tarde, por volta dos dois a três anos, oferecer uma maçã, bem limpinha, lustrosa, brilhante, inteira e com casca para a criança abocanhar e morder de frente é um excelente exercício mastigatório.

Cientificamente, vale lembrar que esses movimentos de mordida de frente estimulam o crescimento dos ossos da porção anterior da face.




[*Dra. Maria Cristina Ferreira de Camargo – é Odontopediatra e
Mestre e Doutora em Odontologia.
Escreve quinzenalmente no caderno Corpo & Vida,
do Jornal Opinião da cidade de Araras.]
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