Programa Preventivo de Maloclusões para Bebês
*Dra. Maria Cristina Ferreira de Camargo


Aleitamento Artificial

Às vezes, a mãe, ainda que queira amamentar naturalmente seu filho, é obrigada a recorrer à mamadeira. A produção de leite materno pode ficar prejudicada por cansaço excessivo da mãe, choques emocionais, problemas de saúde etc. Ou então o leite é insuficiente, o bebê começa a perder peso e o pediatra aconselha a complementar a alimentação.

Independente do motivo, quando a mamadeira entra em ação, alguns cuidados devem ser tomados. O primeiro deles, é que mamar não pode ser mais fácil do que se ele estivesse mamando no peito.

As condições do aleitamento natural devem ser reproduzidas ao máximo, para que todas as funções de sucção, de respiração e musculares sejam exercidas adequadamente. Dessa forma, a amamentação artificial - que não deve se estender após a criança completar nove meses - irá representar o mesmo exercício que é mamar no peito para que todo o mecanismo da boca se desenvolva corretamente.

A aproximação do bebê com a mãe também deve ser mantida. Assim a mamadeira deve ser oferecida quando a criança está no colo da mãe, para que ela sinta o contato com sua pele, calor, e até as batidas do coração.

O modo de introduzir o bico da mamadeira na boca da criança é muito importante. O ideal é estimular a sucção ao máximo. Para isso a mãe deve tocar levemente o bico da mamadeira nos lábios do bebê, até que ele apreenda o bico e comece a mamar.

Mamar tem que ser um exercício natural, um trabalho normal de sucção, com o necessário esforço muscular. Se a mãe facilitar, porque está com pressa, o bebê mamará mais rápido, mas isso só vai prejudica-lo e trazer problemas mais tarde. Mamar no peito significa um trabalho para a criança. Mamar na mamadeira tem que ser uma atividade semelhante a mamar no peito, para que todo mecanismo da boca se desenvolva a contento através destes exercícios.

O uso da mamadeira nunca pode acontecer sem o devido acompanhamento pela mãe ou pelo adulto que está alimentando o bebê. Mamadeira não deve ser para facilitar as coisas; pelo contrário, exige muito mais cuidado pois seu manejo desatento pode ocasionar uma série de problemas. Assim, a mãe deve prestar muita atenção à posição da criança enquanto mama; à posição da mamadeira em relação à boca; à forma e perfuração do bico, ao fluxo etc.

Quando o aleitamento artificial é inevitável, deve-se observar os requisitos para que seja o mais satisfatório possível.

Orientação para Aleitamento Artificial Satisfatório

Para reproduzir ao máximo a amamentação natural, deve-se orientar os pais a tomar os seguintes cuidados:

1. O bebê deve tomar a mamadeira se possível no colo, para sentir todo o aconchego da mãe.

2. Para a criança mamar corretamente e fazer o movimento de ordenha, deve-se segurar a mamadeira de modo que o queixo da criança não fique próximo ao peito, impedindo a liberdade para realizar os movimentos de sucção.

3. Nunca deixar a mamadeira solta, apenas apoiada no peito ou na boca do bebê. O certo é segurá-la firme, pelo meio e não pela ponta.

4. A mamadeira deve ficar um pouco elevada em relação ao corpo da criança, num ângulo de aproximadamente 45º, para que ela possa fazer os movimentos de sucção, exercitando a mandíbula para frente e para trás, de modo correto. A cabeça precisa ficar numa posição que permita esses movimentos e para que a criança possa abocanhar o bico da mamadeira como se fosse o peito e respirar livremente.

5. No meio da mamada, é recomendável mudar a criança de lado, para estimular os dois lados da face.

6. O bico deve ser curto, não muito mole, com textura semelhante ao bico do peito materno e com orifício pequeno - que deixe passar apenas 20 a 30 gotas por minuto, estando a mamadeira cheia de leite e voltada para baixo, sob ação da gravidade. O bico comprido ou com vazão muito grande não permite a sucção adequada; a criança mama rápido, para não engasgar, joga a língua para trás, engole ar, não faz a sucção adequada e a necessidade de sucção permanece. Embora satisfeita em termos de alimentação, ela não estará satisfeita quanto à sucção (Fig.10)

7. O bojo do bico deve ser arredondado para melhor acomodação dos lábios. O bico mais curto, semelhante ao formato do seio, faz com que a criança engula menos ar, o que diminui a possibilidade de cólica, regorgitamento, e reflexo nauseante. O bico longo alcança a boca na área mais sensível - palato mole - podendo estimular o reflexo de vomitar.

8. As mamadeiras precisam estar bem limpas; deve haver todo um processo de esterilização dos recipientes, aros e bicos. Muitos problemas de contaminação e de doenças bucais são provocados por objetos que o nenê leva à boca, como chupeta e mamadeira. Assim, mamadeiras e bicos devem ser escovados para que não fiquem resíduos, e depois fervidos ou colocados em solução desinfetante. Em relação ao recipiente, o melhor é que seja todo transparente ou com poucos desenhos, para não esconder resíduos. Observados esses cuidados diminuem muito os riscos da amamentação por mamadeira; mas nada supera o exercício salutar da amamentação ao seio.

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[*Dra. Maria Cristina Ferreira de Camargo – é Odontopediatra e
Mestre e Doutora em Odontologia.
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